Maria-Mercè Marçal


Maria-Mercè Marçal (Ivars d’Urgell, 13 de novembro de 1952 — Barcelona, 5 de julho de 1998) é considerada como o nome mais recente do cânone poético catalão. Ativa no ensino de seu idioma como forma de militância política, também participava na produção cultural, tendo sido uma das fundadoras da editora Llibres del Mall na década de 70. Em 1977, foi lançado seu primeiro trabalho poético, Cau de llunes, e nessa década se intensificou sua atividade literária e também a política, através de sua filiação ao Partit Socialista d’Alliberament Nacional dels Països Catalans (PSAN), partido independentista marxista-leninista. No ano da publicação de seu segundo livro, Bruixa de dol (1979), tornou-se ainda mais conhecida enquanto poeta, mas também como dinamizadora de grupos feministas. Seu engajamento com a militância feminista cresceu ao longo da sua vida, criando o Comitè de dones escriptores dins el Centre Català del PEN (Comitê de mulheres escritoras dentro do Centro Catalão do PEN), assim como sua dedicação à tradução exclusivamente de textos literários de mulheres. De 1982 são Sal oberta e Terra de mai, onde aparece o tema do amor lésbico, que irá recriando em sua obra. Em 1985 publica La germana, l’estrangera, inspirado diretamente por Audre Lorde e dedicado à sua filha Heura, que criou como mãe solteira. Todos esses livros foram reunidos em Llengua abolida (1973–1988) que faz explícita a procura da palavra além da ordem patriarcal da literatura e da própria língua. Além disso, recebeu vários prêmios por sua produção literária, especialmente por seu único romance, La passió segons Renée Vivien (1994). Marçal foi muito participativa na literatura e política, lutando pelas causas feministas e falando sobre temas lésbicos, assim como se sabe que carregava um baralho de tarô consigo, atenta também à astrologia. Viveu com sua companheira, Fina Birulés, até sua morte precoce aos 45 anos de idade, devido a um câncer. Ainda da morte, surgiu a poesia, pois a doença foi o tema do último livro, póstumo, Raó del cos (2000).